domingo, 15 de janeiro de 2017

Acalanto

Vejo ao lado um alento
Uma imagem que acalanta
Com uma penumbra em sua volta
Uma figura de anjo

Como harpas acariciadas com uma pena
Um som sereno alimenta a alma
Faz do entorno essa cena
De cintilantes vibrações em quadros
De figuras memoráveis
Que ficam em meus olhos

Não me deixo acabar o ato
Prolongo o fim desse instante
Mas as cortinas da noite caem
Pesadamente em seu rosto
Levando-a a outro plano

Gostaria de invadir seus sonhos
E, ao menos neles, ser perfeito
Ser quem você merece
Ser quem você deseja
Ser, para sempre, seu leito

Sinto imensa solidão
Mas de satisfação plena
Uma calma me toma
E doma...

E tenho a certeza, de que nunca achei o que buscava
Mas acabei encontrando o que nem sabia que queria

É dessas coisas que faço,
De ti, meu belo dia

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Carta Magna - Mérito

Ninguém gosta de cantar suas derrotas... especialmente aqueles que não vivem ao som dos frutos que são colhidos por suas próprias vitórias.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Inquietude

Inquietude é a saudade
De momentos nunca antes vividos
Recordações futuras imaginadas
Em tempos para sempre esquecidos

É a impossibilidade de mudar o passado
De tirar todo o atraso
E fazer o bem pra si

É a cura inexistente
Pra uma doença incurável
Remediar não basta
Prevenir era preciso

Mas nem tudo é perdido
Outras  memórias virão
Lá na frente, o imprevisível
Traz a esperança consigo

Não se atrase para perdoar, viver, amar... Sonhar, querer, tentar
Uma chance de reaver uma parte de tudo aquilo
Que se deixou fora de lugar...
Pra nunca mais ter que dizer
Jamais

Quadros

Cada linha desenha o tempo
Uma pincelada é o instante,
Constante e iminente,
Inerte e rumo ao risco

Da vida, as cores vibram,
Dando à sensação o tom,
Da tela emana o som
De todos que lá dentro gritam

Em preto e branco,
Chove fina uma melancolia
Em júbilo, o olhar onírico
Deseja com simpatia

Angústia esta que toma
E concretiza a abstração
Um turbilhão de ideias
Invadem pensamentos evanescentes
Vindo, vendo, ouvindo

Visões desvirtuadas
Vivas, tão vorazes
Vêm à tona em devaneio
Visualizando voluptuosas vozes

Do olhar reflete 
Repetida sintonia
Misteriosa pressão
Falando em sinfonia?

Só lamenta um segredo,
Lá está sua entrelinha,
Sinta intensa excitação
Dormindo sem harmonia

-

O que aquieta a alma
Um acalanto aqui querido
A paz cada vez mais
É querer quem tem sentido

Ao canto dessa sala,
Na altura de um suspiro,
Descansa o corpo lasso
De quando o mundo dá seu giro

Uma imagem que se forma
Uma mensagem que inspira
Ressuscita no reflexo das luzes
O poeta que lhe pinta

Mas, afinal, no seu final
Sua firma é sua sina
O destino que interessa
A Ventura que ensina

Lira

Um passe pra liberdade
Libertar dos males
Mazelas, maldizeres
É a felicidade em seu mais puro prazer

É expressar o que dói dentro
Ou, de fora, vem corroer
É falar da impressão
Que os sentidos têm a dizer

Ah, felicidade (quase) extinta! Tão rara!
Não demora a aparecer.
Porque o que os ventos por ora trazem
São prenúncios de seu desapego

Que desafeto te há afastado
Por tantas léguas no tempo

Só resta uma esperança 
Não a que se procura no mundo
Nem nos outros
Mas a que encontramos d'alma adentro

Noite

Mesmo ao apagar das velas
A chama continua acesa
Entranhada na vontade
De sentir esse prazer

E a paisagem que se inflama
Ao longe, no horizonte
Inspira o ébrio boêmio
Pra voltar a escrever

Que será dos novos dias
Quiçá das doces noites
Que vêm como orvalho 
Temperando o alvorecer

Mas suspiro que inspira
Mais alento de viver
Jaz em frente ao que os olhos miram
Pra tocar seu florescer

Na silhueta, o veneno
Que dispersa a atenção
Do que ao redor o mundo tenta
Pra enxergar na escuridão

Quando tudo fica bem
E o futuro é indiferente
Esquecer é a razão
Pra ser mais presente

Um afago vale mais
Que palavras despojadas,
Jogadas, expostas, tramadas.
A verdade ali se faz

E se puder ver
O que move a esperança...
Um lugar à luz do sol,
Ser feliz numa lembrança

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Tempo

Nada é mais abstrato que o tempo. A persistência da memória está intrinsecamente ligada à liquidez do tempo. Mesmo neste estado, por mais inflexível, ainda queremos fazê-lo maleável. Não podemos controlá-lo, mas tentamos, insistentemente, enganá-lo.

Não podemos ignorá-lo. Costumamos utilizar unidades de medida como marcos que apontam para uma linha – não necessariamente linear – do passado, pelo presente, ao futuro. Mas, inevitável e ambiguamente, efêmera e infinita.


Por mais surreal que essa realidade pareça, seja daqui ou dali, o tempo passa de forma intransponível. Retratos, imagens, canções, cartas, enfim... Tudo são representatividades da arte através da qual tentamos registrar nossa estória para a História. E daí à eternidade.